segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Transitando

Acordei sábado com uma novidade na rua onde moro: a Prefeitura instalou dois redutores de velocidade, numa distância de 40 metros entre eles. Aliás, se eu for contar todos que existem no loteamento, não se assustem, são mais de 50. O mais intrigante é que, em vários locais, a melhor opção de equipamento de trânsito é a rotatória, até por serem cruzamentos próximos a escolas e estabelecimentos comerciais.
Conversando sobre o assunto, e por isso estou a relatar o ocorrido, veio à minha mente a ideia dos redutores e da rotatória como metáforas das nossas condutas cotidianas. Será que somente o trânsito está caótico? Vamos refletir?
Quando reduzimos a velocidade do carro para passar pelo redutor, não mudamos nossa atitude, mudamos apenas a marcha por conta de um obstáculo que nos é imposto ao longo do caminho. É uma ação de reação para que o carro não “pule”, forçando amortecedores, sendo desconfortável para o condutor e os passageiros. Uma atitude um tanto individualista e egocêntrica. Está dando para seguir minha viagem metafórica?
Por outro lado, quando estamos dirigindo e em vias de ter acesso a uma rotatória, naturalmente reduzimos a velocidade e ficamos atentos aos carros que também estão a cruzar. E sem a reação que os redutores nos causam, esse movimento de percepção do todo gradativamente vai trazendo um novo olhar, um novo entendimento de que dependemos do outro para transitar com tranqüilidade e segurança, e vice-versa, pois todos têm o mesmo direito de entrar e sair da rotatória e cabe a cada motorista ser educado para que não se trave ou impeça a vida (oh! Desculpem o ato falho) o fluxo de.....fluir. Redundante, não? E desta vez, vê-se uma atitude mais solidária, com um sentido mais coletivo.
Saindo das ruas e percorrendo o nosso caminho interior, o que será que estamos utilizando para sinalizar nossas ações cotidianas? Os “redutores” que servem de alerta para a pressa, a falta de atenção ao outro, as desculpas por não sermos pró-ativos, forçando a parada brusca, repentina às vezes? Ou será que preferimos a “rotatória”, com o exercício da gentileza, quando cedemos ao outro a nossa vez; o exercício da atenção, quando dedicamos um tempo do nosso dia para ouvir atentamente alguém que nos valoriza, nos solicita; o exercício da civilidade, quando entendemos que a nossa atitude reverbera de alguma forma no outro, sendo positiva ou negativamente ou o exercício da empatia, quando enxergamos no outro um ser igual a nós em suas dúvidas, dores e alegrias?
Voltando às ruas... Será um novo tempo, o dia que todos nós cidadãos, motoristas e pedestres, fizermos do trânsito um laboratório diário de como viver em sociedade de forma harmoniosa, praticando o respeito e a gentileza. Pois assim, sairemos de nossos lares diariamente para trabalhar, estudar, fazer compras ou simplesmente dar uma caminhada, em ruas sem redutores e cheias de seres humanos de atitudes nobres.