segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Um Brasil mais Cor de Rosa

Eu era um lindo bebê, em 1965, quando a “Revista Querida” publicou a seguinte frase: “O lugar de mulher é no lar... o trabalho fora de casa masculiniza.” Mais do que uma frase, era uma sentença do comportamento adequado e um recado para aquelas que não aceitavam o estereótipo de “Amélia”, a rainha do lar.

Já se foram as décadas de 70, 80, 90, entramos em um novo século, e, se estas palavras fossem escritas hoje, com toda certeza seria por alguém bastante desatualizado vindo do seriado “Túnel do Tempo".

O movimento feminista ao redor do mundo foi decisivo para que nós, mulheres, uníssemos forças para transformar essa crença limitante tão arraigada. Conseguimos mostrar à sociedade machista e patriarcal, que somos mais do que apenas “Amélias’; somos “Marias Quitérias”, “Chiquinhas Gonzagas” , “Fernandas Montenegros”, “Irmãs Dulces”, e tantas outras mulheres fantásticas que traduzem a coragem, a ousadia, a competência, a amorosidade nos seus diversos papéis. Sim, mulheres do século XXI, nossa identidade é formada por todas as mulheres que temos dentro de nós. Como uma atriz que busca dentro de si as qualidades e características importantes para desempenhar bem um personagem, também construímos os nossos papéis na vida, para fazer o melhor em cada situação:

- Mãe, estou com fome!

- Beth De Leo, solicito uma proposta para um treinamento....

- Vamos ao cinema hoje, querida?

-Beth, preciso muito do seu ombro amigo para desabafar. Pode ser hoje à tarde?

- Filha, você pode me acompanhar ao supermercado? Não estou muito disposto.

Nossa! Haja energia! A mente fica igual ao rádio do carro, mudando de dial para ouvir uma boa música ou os noticiários ou nada. Tudo dependendo do momento, da situação, da prioridade.

Saímos da frente do fogão e fomos para frente do computador; preparamos jantares e também relatórios importantes; somos a rainha do lar e também a gestora de projetos; somos a esposa e também a amante sensual que seduz o marido com um lingerie sexy.

A vida ficou mais dinâmica, com mais responsabilidades e com menos tempo. Para dar conta de tudo, nós, mulheres multifacetadas, contamos com a criatividade, jogo de cintura e administração do tempo. É incrível como o tempo é livre e senhor de si; só cabe a nós a ilusão que o controlamos. Pois sim, você que não cuide de organizar a agenda do dia, da semana, do mês, que ele passa e ainda dá um tchauzinho bem maroto. Claro que não é preciso tanta rigidez nessa programação; é importante deixar a folga para o imprevisto, a mudança de última hora, para que o stress e a ansiedade fiquem calminhos. Esses sim, podemos cuidar e manter sob controle, pois só depende de nós.

Aproveitando as últimas notícias da semana nos diversos meios de comunicação, é bom começar a organizar os horários em 2010, talvez jantando mais cedo, pois, pela primeira vez na história democrática brasileira, vamos ter duas candidatas à sucessão presidencial. Espero assistir e ouvir a discursos com palavras bem femininas: a sustentabilidade – o respeito à mãe terra que tudo nos provê; a paz – a redução da violência permitindo que nós cidadãos tenhamos qualidade de vida nas cidades; a visão holística – cuidando do nosso país como um filho que é criado com um projeto de longo prazo; a ética – o resgate dos valores morais que são os pilares de uma sociedade democrática: justiça, honra e dignidade.

É o grande passo na consolidação dos nossos diversos papéis na história brasileira. O sonho de ser a maior líder da nação, de uma sociedade, saindo da gerência de nossos lares para a gestão de um país continental como o Brasil. Talvez não seja dessa vez; talvez seja apenas o começo da mudança ou o primeiro passo para uma reflexão. O mais importante é que, depois de mostrarmos ao brasileiro que não nos masculinizamos quando saímos às ruas, agora será a vez de transformar o olhar machista em um olhar mais amplo, mais plural, mais cor de rosa.