terça-feira, 30 de março de 2010

Construindo Pontes entre Sócrates e a PNL

Sócrates, o grande pai da filosofia ocidental, conhecido pela célebre frase - “só sei que nada sei”, nos deixou como aprendizado de seus famosos diálogos, questionar o próprio saber. Ele ouvia seu interlocutor com atenção e depois esmiuçava cada resposta, buscando o significado das palavras. E a cada esmiuçada, surgia uma nova pergunta e assim continuava. Claro que um diálogo tão profundo, tão atento às palavras e seus sentidos, leva as pessoas a uma espécie de catarse, a uma possibilidade de autoconhecimento, possibilidade esta que surge quando ouvimos a nós mesmos e ao ouvir a nossa voz ecoar no espaço, temos a oportunidade de repensar aquilo que acabamos de dizer, de reestruturar nossas ideias e as emoções embutidas, devolvendo-as renovadas.

É nesse momento que o método de Sócrates, que viveu bem antes de Cristo, ecoa e tem paralelo na Programação Neurolinguística. Para esta ferramenta da comunicação, a audição cuidadosa é a grande qualidade de um interlocutor. Quando realmente estamos atentos ao que o outro diz, temos a preciosa percepção da realidade que ele constrói, seu mundo interior. Podemos retroalimentar esse diálogo, nos entregando a resposta que surge, sem julgamentos nem críticas, apenas penetrando neste mundo interior para destrinchar e buscar entender o significado de cada palavra, as emoções contidas nela, muitas vezes suprimidas e sufocadas, que berram aos nossos ouvidos. Ao destrinchar, devolvemos a reflexão em forma de uma nova pergunta. E neste momento, construímos a ponte que permite esse encontro de almas e de ideias, absorvendo um pouco do outro e deixando um pouco de nós nas nossas indagações. Existem várias técnicas que permitem fazer esse processo – metamodelos e metaprogramas – que ajudam a identificar os padrões que codificam a ideia em linguagem, ou seja, que traz esse mundo interior à tona, à luz do outro.

Outro ponto que Sócrates e a PNL têm em comum, diz respeito ao fato do processo ser num tom completamente respeitoso. Para a Programação Neurolinguística, uma comunicação de excelência é ecológica, ou seja, é uma relação de ganha-ganha, onde o respeito é o pilar para se construir a ponte entre duas pessoas que dialogam e não um muro. A ponte permite que o outro venha a mim e eu possa ir ao outro; o muro impõe limites e barreiras intransponíveis.

A comunicação clara e atenta, compreendendo-se o que mais de subjetivo existe – ideia e emoção, que é socrática e o cerne da PNL, faz-se necessária e urgente nos dias atuais, quando a informação compacta, superficial, trazida pelos meios de comunicação em massa – rádio e TV – passa a ser a opção mais rápida de “entender” o mundo para grande parte da população. Este informação é prática, fácil de ser colocada nas conversas corriqueiras do nosso vai-e-vem diário e aí está o grande perigo: verbalizar sem realmente refletir, questionar, não é o mesmo que absorver, sorver cada palavra, seu sentido mais amplo. Para isto, são necessárias pelo menos duas pessoas. Para isto, é imprescindível dialogar.

O fato é apenas um registro, algo relevante que pode mudar rumos, uma indignação que pressupõe uma ação imediata ou uma denúncia que mobiliza? Só o diálogo permite a reflexão; só ele nos move, arregimenta mais pessoas, muda a história.

E o que mais me deixa atônita atualmente é a percepção de que as pessoas andam meio alienadas, anestesiadas, robotizadas, pouco à vontade com a arte do diálogo, do expor o que se pensa e se permitir um novo pensar a partir do que o outro traz. Repensar e reconstruir juntos algo que passa a ter o DNA dos dois, o olhar dos dois.

Um dos meus passatempos preferidos é a leitura; de bula de remédio à literatura, nada escapa às minhas indagações, dúvidas, curiosidades. Gosto de conversar com pessoas que amam os livros, que pensam o que dizem, refletem e permitem o refletir conjunto. Pessoas inteligentes, interessadas em temas variados que muitas vezes parecem dissociados como economia e gastronomia, música e educação, política e anticoncepcional, teatro e futebol. Esse cardápio exótico degustado a dois é muito mais excitante quando praticamos o diálogo no seu mais profundo significado socrático, pois traz a leveza indescritível da sensação de que quanto mais conversamos, mais sabemos que nada sabemos, pois cada olhar é apenas um único olhar, incompleto quanto à percepção do todo, mais rico quando dois.

Praticar Sócrates é um convite à cidadania, pois, no fundo no fundo, temos todos os mesmos temores e as mesmas esperanças e somente pelo diálogo temos a possibilidade de construir um mundo melhor, mais justo e digno de se viver. Conhecer a Programação Neurolinguística é um ótimo investimento na arte de se comunicar bem e, principalmente, na arte de lidar com gente.