O ar que enche nossos pulmões é algo tão presente que nunca pensamos nele. No entanto, ele define a nossa existência - a primeira inspiração ao nascer e o último suspiro. Se parássemos para pensar sobre ele, talvez tivéssemos uma atitude bastante diferente: quanto à forma que nos deslocamos – utilizando menos carros que são potencialmente poluidores e exigindo mais transporte coletivo eficiente; quanto à forma como criamos o nosso habitat – derrubando menos árvores, repensando modelos alternativos de moradia; quanto à forma como nos alimentamos – comendo menos produtos industrializados, cujo processo libera gases nocivos na atmosfera, e preparando refeições mais saudáveis em casa; enfim, teríamos o hábito de refletir, analisar nossas ações e suas conseqüências.
ASSIM É NA NOSSA VIDA.
Se a vida é uma construção diária, com ações e sentimentos na interação com os outros, vida cotidiana é aquilo que se faz ou ocorre todos os dias. O que sucede ou se pratica habitualmente.
E AÍ ESTÁ A SEMELHANÇA COM O AR QUE RESPIRAMOS.
Se vida cotidiana é o que praticamos habitualmente, podemos correr o risco de robotizar esse movimento. “TODO DIA ELA FAZ TUDO SEMPRE IGUAL...” e nos tornarmos escravo dessa repetição, gerando uma alienação em relação ao que acontece fora dessa nossa rotina particular, mesmo quando em interação com aqueles com quem convivemos. Vamos deixando o coletivo e adotando o individual.
PASSAMOS DO “NÓS”PARA O “EU”.
E sem nos darmos conta, pensamos que não podemos mudar o que está fora, excluímos a possibilidade do protagonismo, deixamos o mal estar nos invadir e, ao invés da ação, gerada a partir do incômodo desse sentimento, nos imobilizamos, congelamos. Falamos, falamos, não para convocar o outro à mudança; não queremos ouvintes, apenas criamos, sem perceber, o círculo vicioso da queixa - ou melhor, a cultura da queixa. E mais uma vez trago Chico, quando ele diz: “TODO DIA EU SÓ PENSO EM PODER PARAR, MEIO DIA EU SÓ PENSO EM DIZER NÃO, DEPOIS PENSO A VIDA PARA LEVAR E ME CALO COM A BOCA DE FEIJÃO.”
Somos produto e produtor do meio no qual estamos inseridos e, por isso, Ana Quiroga e Pichon Riviére nos convidam a refletir diariamente sobre a organização social e material que nos rodeia; sobre a ideologia que permeia toda a estrutura sócio-econômica de lares, empresas, instituições públicas e dos meios de comunicação. Somos como aquela boneca russa: nascemos dentro de uma família que está dentro de um contexto histórico, contexto este que fundamenta as ações públicas e privadas.
Sair da queixa é a nossa POSSIBILIDADE DE RETOMAR A SANIDADE MENTAL, exercitando a capacidade de mudar, de fazer diferente, de ouvir o outro e se fortalecer com o sentimento de grupo, de deixar o incômodo para trás e usufruir do conforto da nova escolha.
SIMPLESMENTE SERMOS O ATOR PRINCIPAL DA VIDA DA GENTE!
