terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Matemática da Tranquilidade

Outro dia contei aos meus filhos como era meu dia-a-dia no início da carreira como administradora, estagiando na área de planejamento, fazendo planilha de fluxo de caixa em folha de papel quadriculado, a caneta, rezando para que o chefe não entrasse dizendo que o cliente havia modificado alguma verba orçamentária, o que representava começar todo o trabalha novamente, levando mais ou menos uns 40 minutos. Sem contar os erros que aconteciam e, se não desse para apagar sem deixar vestígios, olha eu de novo refazendo o bendito fluxo de caixa.
Hoje estou no paraíso; troco a palavra ou número, modifico o modelo da planilha à medida que vou inserindo novos dados, faço teste com as cores e fontes, o que não podemos fazer com nossa caligrafia, e ainda posso fazer modelos para escolha. Aliás, como gosto de sistematizar as informações, virou brincadeira criar planilha no excell para diversas coisas corriqueiras: lista de aniversários, telefones, supermercado, controle de despesas domésticas, previsão de gastos de uma festa, viagem, afazeres domésticos, rotina de filho, até os amigos pedem ajuda pela minha criatividade e rapidez. Atualmente faço parte do conselho fiscal do condomínio onde moro e já criei algumas planilhas para colaborar na operacionalização da área administrativo-financeira e nas atividades dos diversos empregados.
Sabe o que mais me chama à atenção neste mundo de crises financeiras mundiais, inflação, desemprego... é que, diferente da maioria das empresas onde já existe a cultura de se planejar as receitas e despesas e prever a saúde financeira da organização a longo prazo, muitas pessoas nem têm ideia a quantas anda a saúde de seu bolso. Quando falo para meus amigos que eu e meu marido temos um orçamento doméstico aberto para doze meses, com as receitas e despesas previstas, facilitando a decisão sobre projetos futuros como viagens, cursos, troca de carro, eles acham graça e dizem que é coisa de administradora. Pois é, meus amigos queridos, isto nada tem a ver com profissão; talvez com organização, e acima de tudo, com qualidade de vida. Qualidade de vida sim senhor! Com a vida financeira descortinada em uma planilha anual, durmo tranqüila e sei o que posso usufruir com tranquilidade, sem tatear no escuro, sem criar grandes expectativas ou passar por frustrações ou problemas desnecessários. Também não dou vez ao consumismo tão comum nos dias de hoje, que já virou até doença, comprando por impulso ao lançar mão da mágica do cartão de crédito. Aliás, exclui este ícone da modernidade da minha vida a seis anos atrás. (sei que vão achar radicalismo, tudo bem!) Assim, o orçamento doméstico, a querida planilha, tornou-se uma ferramenta importante: nas tomadas de decisões baseadas em dados confiáveis; para meus filhos serem educados a lidar com o dinheiro de forma responsável; e o melhor de tudo, para minha pressão arterial, glicose, colesterol, triglicerídeos, hormônios, enfim, para meus corpos físico, emocional, mental e espiritual que são super saudáveis e nem sabem o que é remédio.
Os budistas dizem que quando as coisas estão complicadas, é porque nos afastamos da simplicidade, da felicidade natural de uma vida sem stress, ansiedade. Como tenho a crença que dinheiro é muito importante para realizar meus projetos e sonhos, invisto em organização, administração financeira e noites bem dormidas, mesmo quando o ponto de equilíbrio receita x despesa anda apertado. Por isso, convido vocês a experimentar essa fórmula matemática de saúde plena e paz de espírito, que permite uma vida mais pé no chão, focada no aqui e no agora, convivendo serenamente com as pessoas que amamos, pois viver bem é muito mais qualidade do que quantidade, mesmo com toda a mídia nos dizendo o contrário. Que tal abrir o excell e criar a sua planilha? E isto não é coisa só para administradores.

Um comentário:

  1. É verdade companheira, fazer o Monitoramento Orçamentário Doméstico é prudente e importante, sobretudo porque, o Planejamento, visto estrategicamente, não é outra coisa senão a ciência e a arte de construir maior governabilidade aos nossos destinos, enquanto pessoas, famílias, comunidades, organizações, municípios, estados ou países.

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